Para onde vai o metal depois da balança
Depois de pesado e pago, o metal não fica no parque para sempre. Segue um percurso que começa na triagem e acaba numa fundição, onde volta a ser matéria-prima. Perceber esse percurso ajuda a perceber porque é que a sucata tem preço, e porque é que esse preço muda tanto entre um cobre limpo e um cobre com soldas.
Primeiro, a triagem
Quando o material chega, a primeira coisa é separar. Ferro para um lado, cobre para outro, alumínio, latão, inox, cada um no seu monte. Dentro de cada metal, separa-se ainda o limpo do que vem com outras coisas agarradas: tinta, plástico, borracha, parafusos de outro metal.
A separação faz-se à mão, com íman e com olho treinado. O íman resolve a primeira pergunta: se pega, é ferroso (ferro e a maior parte dos aços); se não pega, é não ferroso (cobre, alumínio, latão, a maior parte do inox). O resto é experiência: a cor do latão, o peso do chumbo, o brilho do alumínio por baixo da tinta.
É nesta fase que se decide o valor. Uma fundição de cobre quer cobre, não quer ferro. Cada impureza dá trabalho a quem compra a seguir e esse trabalho desconta no preço.
Depois, prensar e carregar
Metal solto ocupa muito espaço. Para transportar com eficiência, os materiais leves (chapa fina, latas, perfil de alumínio) são prensados em fardos ou compactados. O ferro mais pesado é cortado em pedaços que caibam nos fornos. Os cabos podem ser descarnados para separar o metal do isolamento.
Depois, os lotes seguem para unidades de reciclagem e fundições, acompanhados da respetiva documentação de resíduos. Cada lote leva o seu tipo de material e o seu peso.
Na fundição, volta a ser metal novo
Na fundição, a sucata é fundida e afinada até ter a composição pedida, e sai em lingotes, varão, chapa ou outros produtos. O metal não perde as suas propriedades por ser reciclado. Um quilo de alumínio reciclado é alumínio, tal como o que saiu da mina, e pode voltar a ser reciclado muitas vezes.
É por isso que a sucata tem mercado: para muitas fábricas, é uma matéria-prima tão boa como a primária, e mais barata de transformar.
Alumínio: a diferença maior
O caso mais claro é o alumínio. Produzir alumínio a partir do minério (a bauxite) gasta muita eletricidade. Segundo o International Aluminium Institute, a reciclagem poupa cerca de 95% da energia necessária para produzir alumínio primário.
Isto explica porque é que as janelas de alumínio trocadas, as latas e os perfis têm sempre procura. E explica também porque é que o perfil limpo é pago à parte: é o material mais fácil de voltar a usar sem grandes perdas.
Aço: menos minério, menos carvão
O aço é o metal mais reciclado do mundo, e a sucata é uma das suas matérias-primas principais. Cada tonelada de sucata que entra num forno é uma tonelada que não teve de sair de minério de ferro, com tudo o que isso implica: extração, transporte, carvão para a redução do minério e as emissões que vêm com ele.
A worldsteel, a associação mundial do setor, trata a sucata como peça central para reduzir as emissões da produção de aço. Para quem vende, a consequência prática é simples: o ferro velho tem sempre saída, mesmo quando o preço por quilo está baixo.
Porque é que o cobre limpo vale mais
O cobre é dos metais mais valiosos que nos chegam, e também aquele em que a diferença entre limpo e misturado se nota mais. Um tubo de cobre sem soldas, sem tinta e sem acessórios de latão pode ir quase direto para fundição. Um tubo com soldas de estanho, restos de isolamento ou acessórios de outro metal tem de ser tratado antes, e parte do peso que entrou na balança não é cobre.
O mesmo vale para os cabos: o que interessa é o cobre ou o alumínio que estão lá dentro. Por isso, os cabos classificam-se pelo tipo e pela secção, e às vezes compensa mais descarnar antes de vender. Quando é o caso, dizemos-lhe.
A regra geral é esta: quanto mais separado e limpo vier o material, mais perto fica o preço do valor do metal. Não precisa de fazer nada de especial em casa ou na obra; basta não misturar tudo no mesmo saco. Se tiver dúvidas, pergunte antes de separar.
REEE e baterias: um circuito à parte
Os equipamentos elétricos e eletrónicos (os chamados REEE) e as baterias têm metal que se aproveita, mas não são só metal. Um frigorífico tem gases que não podem ir para a atmosfera; uma placa eletrónica tem componentes que precisam de tratamento próprio; uma bateria de chumbo-ácido tem ácido e chumbo, e é um resíduo perigoso.
Por isso, a lei trata estes resíduos como fluxos específicos, com regras e operadores próprios. Em Portugal, essas regras estão reunidas no regime unificado dos fluxos específicos de resíduos (Decreto-Lei n.º 152-D/2017), e a APA publica todos os anos os números da recolha de REEE. Recebemos o que a nossa licença permite e encaminhamos o resto para operadores licenciados, com o registo de cada entrega.
Inox, latão, chumbo e zinco
Os outros não ferrosos seguem a mesma lógica, cada um com as suas particularidades. O inox tem níquel e crómio, e é isso que lhe dá valor; a maior parte não pega no íman, mas há tipos que pegam ligeiramente, por isso confirmamos sempre antes de classificar. O latão (cobre com zinco) aparece em torneiras, válvulas e acessórios de canalização, muitas vezes com peças de ferro ou plástico agarradas que convém tirar.
O chumbo é pesado e fácil de reconhecer, e vem sobretudo de canalizações antigas e de chapas de cobertura. O zinco aparece em caleiras e remates de telhados. Em ambos, o que interessa é vir sem misturas: um rolo de caleira com terra e folhas pesa mais, mas não vale mais.
Porque é que o preço muda
Os metais não ferrosos (cobre, alumínio, zinco, chumbo, níquel) são cotados nos mercados internacionais de matérias-primas, e o preço da sucata acompanha essas cotações. O ferro segue a procura das siderurgias. Quando a construção e a indústria abrandam na Europa ou na Ásia, o preço da sucata desce; quando aceleram, sobe.
Por isso não publicamos tabelas de preços fixas: ficariam desatualizadas em poucos dias. Dizemos o preço por quilo de cada material no dia em que nos fala, antes de pesar. Se tiver uma quantidade grande e não tiver pressa, pergunte-nos como tem estado o preço nas últimas semanas: ajuda a decidir quando vender.
O que isto muda para quem vende
- Separe o que conseguir. Cobre com cobre, alumínio com alumínio. Não é preciso perfeição, é preciso não misturar tudo.
- Tire o que não é metal quando for fácil: plásticos, madeiras, borrachas.
- Pergunte antes de descarnar cabo. Nem sempre compensa o tempo.
- Não traga recipientes com restos de óleo, tinta ou gás. Não podemos aceitar.
Do nosso lado, dizemos o preço por quilo de cada material antes de pesar, pesamos à vista e pagamos no ato, por transferência ou outro meio legal. Se quiser saber quanto vale o que tem, mande uma fotografia pelo formulário de contacto.
Quer saber quanto vale o que tem?
Mande uma fotografia e uma ideia da quantidade. Respondemos com o preço por quilo de cada material.
Pedir avaliaçãoFontes
- International Aluminium Institute, Aluminium recycling saves 95% of the energy needed for primary aluminium production
- Stena Recycling, The value of recycling metals
- worldsteel, World Steel Association
- APA, reporte comunitário REEE 2024
- APA, manual de apoio ao cumprimento do UNILEX (Decreto-Lei n.º 152-D/2017)
